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Destino ou livre arbítrio. O que você escolhe para 2017?

*destinoPor Dr. Bayard Galvão

Destino é a ideia de que algo já está escrito ou decidido no que faremos, pelo que passaremos, quem conheceremos, o que sentiremos ou pensaremos. A discussão é simples: ou você acredita num ser ou força que já teria decidido e/ou que já saiba de tudo isso ou não. Em outras palavras, é uma questão de crença, religiosa em algum nível.

Muitas pessoas acreditam em destino por três razões básicas: (1) um desdobramento lógico de quem acredita num ser supremo que comanda e/ou sabe tudo; (2) irresponsabilizar-se por um momento ruim de vida (uma das piores conclusões que as pessoas podem chegar é a de que estão sofrendo por bobagens que elas mesmas criaram, seja um divórcio, demissão ou depressão); e (3) esperança de dias melhores (se o ser supremo “escreve certo por linhas tortas” e querendo ele o bem das pessoas, em algum momento o indivíduo sairá do sofrimento presente e viverá o paraíso, antes ou depois da morte).

Na psicologia não existe apenas uma visão de mundo, há inúmeras, algumas se pautando mais pela ciência, outras camufladas de ciência, mas tendo sua base em crenças, mais ou menos religiosas.

Já o livre arbítrio é quanto alguém entende, questiona e decide sobre os próprios pensamentos, emoções e atos, com base na compreensão das causas e potencias efeitos de uma determinada atitude.

Um grande exemplo de livre arbítrio é o “amor à primeira vista”, o momento de uma convergência de variáveis aprendidas ao longo da vida ocorrendo ao mesmo tempo. Caso uma mulher tenha crescido aprendendo (muitas vezes, sem perceber) que um homem de valor tenha determinado tipo de corpo, postura, vestimenta, maneira de falar e caminhar, ao olhá-lo ou até ouvi-lo, ela sentirá o tal “amor à primeira vista”. Entretanto, se ela começar a se questionar sobre o quão bom homem ele é ou não, o sentimento pode acabar antes mesmo de crescer. Aqui, o livre arbítrio sobre a emoção ganha espaço com base no entendimento e questionamento das próprias emoções.

Em outras palavras, o livre arbítrio nunca diz “siga os seus sonhos!”, mas sim “entenda e questione os seus sonhos, apenas depois, caso tenha sido verificado que sejam válidos, busque-os!”.

E por que algumas pessoas acreditam em um ou em outro?

Para entendermos as causas das crenças, dois conceitos se fazem necessários: instinto (buscar prazer e fugir da dor) e dificuldade do ser humano de dizer “não sei”, geralmente causada por vaidade (ter que saber tudo) e falta de humildade (não reconhecer os limites das próprias capacidades). Entre buscar a verdade e inventar uma explicação agradável (que segue o movimento do instinto), que tenha alguma lógica, o ser humano, na sua esmagadora maioria, optará pela invenção, até porque a verdade, com frequência, provoca dor. As pessoas, no geral, só buscam os fatos reais se forem agradáveis, caso contrário, uma crença saborosa é bem mais aceitável.

Nestes termos, usando o conceito materialista de mundo, ou seja, tomando como fato apenas o que for comprovado pelos sentidos, não existe destino. O futuro é o resultado de incontáveis variáveis, seja o clima, o ser humano, os astros, os vírus, as bactérias e por aí vai.

Resumo da ópera: destino é uma questão de crenças religiosas e livre arbítrio é para quem questiona, de fato, a si mesmo – o que poucas pessoas fazem. A base do livre arbítrio é ter uma postura racional sobre o sentido da vida, emoções e decisões, sendo desnecessariamente limitado numa sociedade que coloca emoções como sendo mais humanas ou importantes do que a razão.

 

*BAYARD GALVÃO é Psicólogo clínico, Hipnoterapeuta e palestrante. Especialista em Psicoterapia Breve, Hipnoterapia e Psiconcologia, Bayard é autor de cinco livros e criador do conceito de Hipnoterapia Educativa.